Da primeira partida no SESC Cacupé à Copa do Brasil de Futebol 7 em Florianópolis: a trajetória da Floripa Cup e do Fut7-SC na era Prime Sports.
Segundo o relatório de atividades de 2013, a Floripa Cup foi criada em 2006 e a Fut7-SC, em 2008; a primeira edição foi disputada em 2007, no SESC Cacupé. Organizada pela Prime Sports Group e homologada pela federação, a competição cresceu de 16 para 72 equipes e virou o principal campeonato de futebol 7 do Sul do Brasil, segundo o anuário de 2010.
Uma história inusitada, contada em depoimento gravado. Datas e ordem dos fatos são de memória; onde há documentos, o resto desta página os cita.
No fim de 2006, um jovem organizador preparava um torneio chamado Bundas League, paródia da Bundesliga. Sem experiência em eventos, cobrou uma inscrição bem abaixo do necessário e o evento daria prejuízo. Ele procurou a Prime Sports.
A Prime Sports adquiriu o torneio e trocou o nome para Floripa Cup, mais vendável e com mais potencial de crescimento. A ideia era jogar dentro de um condomínio residencial, o Dom Eudes, atrás do McDonald's da Avenida Beira-Mar Norte.
A empresa chamou as equipes inscritas, explicou a situação e precificou o evento de novo. De todas as equipes, só uma não quis participar: as demais aceitaram pagar um valor a mais e jogar a primeira edição.
O torneio começou no SESC Cacupé e fez sucesso imediato, pela divulgação e pelos nomes engraçados das equipes. Havia brincadeiras, como o Troféu Abacaxi: as duas piores equipes se enfrentavam e quem perdesse ganhava um abacaxi.
O Troféu Abacaxi durou, de memória, as três primeiras edições, até a fundação da Fut7-SC. Com a federação e o torneio oficial, acabaram essa e outras brincadeiras.
Na época, segundo o relato, a outra federação existente estava desacelerando e dizia que torneios tinham de ser de fim de semana. A Floripa Cup, com uma edição por semestre, e depois os eventos da Fut7-SC criaram um calendário anual para os times jogarem o ano todo.
Equipes passaram a ter patrocínio, treinadores e ex-jogadores; atletas do futebol de campo migraram para o fut7, e o cenário nacional se organizava. A competitividade subiu, e o espírito festivo dos primeiros anos foi se diluindo.
Na avaliação de quem organizou, o fato de Santa Catarina ser hoje uma das potências nacionais do futebol 7 deve-se ao trabalho da Floripa Cup e da equipe da Prime Sports, que deram subsídios para o engajamento e crescimento das equipes, que foram grandes protagonistas. A ideia deste memorial é manter viva essa história: ela não se apaga, e a gratidão por tudo o que foi construído também precisa existir.
Fonte: depoimento gravado de quem organizou o torneio (transcrição). Os nomes das pessoas citadas no relato não são publicados aqui.
A 1ª Floripa Cup foi disputada de 3 de junho a 29 de julho de 2007, aos domingos, no SESC Cacupé, com 16 equipes. Foram 56 jogos e 493 gols. Na final, o Bandidos venceu o Supersul por 6 a 2 e levantou o primeiro troféu da história do torneio.
A 2ª edição começou em 7 de setembro, feriado, e já reuniu 30 equipes, em grupos. O Bandidos repetiu o título, com 3 a 0 no Paixão de Verão. Foram 927 gols em 83 jogos, média de 11,2 por jogo, a maior de todas as edições registradas. Houve também disputas paralelas, como a Taça de Prata e o Troféu Abacaxi.
Fontes: Planilhas de estatísticas e tabela da 1ª Floripa Cup.
A 3ª edição foi disputada de 5 de abril a 24 de maio, com 32 equipes. O Supersul foi campeão, com 7 a 4 no Cavera, e Fábio Machado marcou 41 gols, o maior número de gols de um artilheiro da Série A nos registros do acervo.
A 4ª edição, com 40 equipes, mudou-se para o complexo Show de Bola. O Beira Rio foi campeão, com 6 a 3 no Supersul. Em 21 de setembro, nessa edição, saiu a maior goleada da história do torneio: Beira Rio 31 a 1 Só Tapa. A mesma edição teve a primeira competição feminina, vencida pela ADIEE (9 a 1 no Elase).
Em 2008 nasceram a Copa dos Campeões, que abre a temporada reunindo os campeões do ano anterior (Supersul 9 a 4 Bandidos na 1ª edição), e a Copa Federação (Supersul 4 a 3 Cavera). A Federação de Futebol Sete Society do Estado de Santa Catarina, a Fut7-SC, também é desse ano. O site oficial da Floripa Cup registrou 135 mil visualizações.
Fontes: Planilhas de estatísticas, anuário 2009 e relatório de atividades 2013.
A temporada abriu em março com a Copa dos Campeões (Beira Rio 7 a 3 Supersul). A 5ª Floripa Cup, em abril e maio, teve 48 equipes em três divisões e um troféu em homenagem ao superintendente da Fundação Municipal de Esportes de Florianópolis que oficializou a Floripa Cup no calendário de eventos da capital. O Cafuné ganhou seu primeiro título, com 4 a 1 no Avaí/Supersul.
A 6ª edição, de 12 de setembro a 25 de outubro, chegou a 72 equipes inscritas, em quatro divisões, com cerca de 1.500 atletas. Nasceu a Série D, vencida pelo Na Capa. Na Série A, o Cafuné foi bicampeão ao golear o Figueirense por 5 a 0.
No fim de outubro foi disputada, pela primeira vez, a Copa da Liga, mata-mata com 24 equipes, também vencida pelo Cafuné (7 a 3 no Supersul). Em 17 a 20 de dezembro, São José recebeu o 1º Estadual Fut7-SC, com 16 equipes: o Bugre do Oeste, de São Miguel do Oeste, viajou mais de 600 km e venceu o Falcão 12 nos pênaltis.
A federação também cresceu fora da capital, com ligas regionais e torneios em Chapecó, Caçador, Joinville, Balneário Camboriú, Camboriú e São Miguel do Oeste. Em novembro firmou convênio com o Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina e promoveu encontros para qualificar árbitros. O Projeto Sete Social distribuiu quase mil litros de leite a seis instituições; na Floripa Cup, cada cartão amarelo rendia uma caixa de leite, e cada vermelho, duas. O site oficial chegou a 200 mil visualizações.
Fontes: Anuário 2009 e relatório de contrapartida social do torneio.
O anuário define 2010 como o ano da consolidação da Fut7-SC: mais de 15 torneios, em ligas da capital e do interior. Na abertura da temporada, a Copa dos Campeões não teve disputa, porque o Cafuné havia vencido as duas edições da Floripa Cup de 2009.
A 7ª Floripa Cup, entre abril e maio, teve 72 equipes: 12 na Série A, 12 na B, 24 na C e 24 na D. O Cafuné bateu o Belezita na final (3 a 3 e 3 a 1 nos pênaltis) e chegou ao tricampeonato. Na 8ª edição, o Buxa, em sua primeira participação na Série A, venceu o Cafuné por 3 a 2 e destronou o tricampeão.
O Kitimar, de Maravilha, foi campeão do 2º Estadual (5 a 4 no Supersul). Foram distribuídos mais de mil litros de leite a doze instituições, quatro cursos formaram mais de 40 árbitros, e a Seleção Catarinense ficou em 3º lugar no Campeonato Brasileiro 2010/2011. Para 2011, a Fut7-SC anunciou sete novos torneios no estado, chegando a 24 competições, cerca de mil equipes e mais de 20 mil atletas.
Fontes: Anuário 2010 e relatório de atividades 2010-2011.
A 9ª Floripa Cup devolveu o título ao Cafuné, que conquistou o quarto troféu da Série A após 2 a 2 e vitória no shoot-out sobre o Boca Carianos. A Copa dos Campeões de 2011 foi decidida por 5 a 0 em favor da AABB Florianópolis/Cafuné sobre o Avaí/Buxa.
A Floripa Cup 10 teve festa de abertura com lançamento dos uniformes das equipes, cerimônia de premiação dos melhores da competição e premiação recorde de R$ 10 mil. Na final da Série A, o Avaí/Buxa goleou o Boca Carianos por 5 a 1.
O Kitimar foi bicampeão catarinense, com 6 a 2 no Olympikus, de Chapecó, e ganhou o apelido de "Kitimaço". O Projeto Sete Social ultrapassou 1.500 litros de leite arrecadados. Nos dois anos, 2010 e 2011, o Fut7-SC contabilizou mais de 30 torneios no estado.
Fontes: Relatório de atividades 2010-2011, releases da Floripa Cup 10 e do Catarinense 2011.
Na 11ª edição, entre maio e junho, com 72 equipes, o Space Food conquistou seu primeiro título da Série A (8 a 4 no Avaí/Buxa). A 12ª teve a CBN assinando o torneio, e a final da Série A foi transmitida ao vivo para o estado: Figueirense/Beira Rio 2 a 0 Supersul.
Em 12 a 14 de outubro, Florianópolis recebeu pela primeira vez um evento de abrangência nacional, a Copa Sul de fut-7. A AABB Porto Alegre foi campeã entre os clubes, e o Caja, do Paraná, venceu a categoria Livre. Nasceu também a Superliga Hora SC, primeiro torneio de pontos corridos do futebol 7 catarinense, com os 12 melhores times da capital; a AABB Florianópolis foi campeã, decidida no saldo de gols.
No Campeonato Catarinense, o Quadrilheiros foi o primeiro campeão de Florianópolis, que abriu 4 gols de vantagem sobre a AABB Florianópolis/Cafuné, viu o rival empatar e venceu no shoot-out. Em dezembro, três times catarinenses disputaram o Brasileiro de Fut-7, no Rio de Janeiro. A CBN e o jornal Hora de Santa Catarina, do Grupo RBS, passaram a ser parceiros de mídia dos principais torneios.
Fontes: Relatório de atividades 2012 e clipagem.
A temporada abriu em fevereiro com o Torneio Início e a Copa Dale! dos Campeões, em 24 de fevereiro, no Fair Play: Avaí e Figueirense empataram e o Avaí venceu no shoot-out. A 13ª CBN Diário Floripa Cup foi de 20 de abril a 22 de junho, no Fair Play, com 60 equipes no adulto (81 contando Sub-15, Sub-17 e Feminino); o Figueirense foi campeão no shoot-out sobre o Avaí/BMH.
Entre 30 de maio e 2 de junho, Santa Catarina recebeu pela primeira vez a Copa do Brasil de Futebol 7: 36 delegações masculinas e 12 femininas, cerca de mil atletas. O Flamengo-RJ levou a Copa do Brasil, e o Botafogo-RJ, o Brasileiro Feminino. A AABB Florianópolis ficou em 4º lugar, a melhor campanha de um clube catarinense na história da competição.
A 14ª edição, de 14 de setembro a 9 de novembro, no Trevo, reuniu 70 equipes e teve seis transmissões ao vivo da CBN Diário, entre elas a final da Série A: o Avaí/BMH foi campeão no shoot-out sobre o FEC/Paula Ramos. Em 15 a 17 de novembro, o Quadrilheiros foi bicampeão catarinense, de forma invicta, em São José.
A 14ª edição foi a última: a Floripa Cup foi encerrada em 2013, e não houve edição em 2014.
O ano teve ainda a 1ª Copa 7 Social, com apoio da Fundação Municipal de Esportes de Florianópolis, a 2ª edição da Superliga Hora SC (AABB no masculino, Triunfo no feminino) e a 1ª Garopaba Cup.
Fontes: Anuário e relatório de atividades 2013.
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Este texto foi escrito a partir dos documentos do acervo: anuários de 2009, 2010 e 2013, relatórios de atividades, planilhas de estatísticas, recortes de imprensa e um depoimento gravado de quem organizou o torneio. Quando os documentos divergem, o texto indica a diferença:
Sobre 2006, ano anterior à 1ª edição, só há o depoimento e uma menção no relatório de 2013. Se você tiver fotos, textos ou memórias para completar esta história, envie para incluirmos.